sábado, julho 26, 2008
quinta-feira, março 13, 2008
Golfinho 'salva' baleias encalhadas na Nova Zelândia
O 'salvamento' ocorreu quando um grupo de pessoas que tentava em vão resgatar os animais já estava em vias de desistir da operação.
O responsável pela conservação da vida animal na área, Malcolm Smith, disse que, após várias tentativas, tanto as pessoas quanto as duas cachalotes-pigmeus estavam cansadas.
Foi nesse momento que o golfinho apareceu, comunicou-se com as baleias e conduziu-as até alto mar.
"Algo obviamente aconteceu, porque as duas baleias, estressadas, mudaram de atitude e seguiram o golfinho por vontade própria pela praia direto para o mar", disse Smith.
"O golfinho fez o que nós não conseguimos fazer. Estava tudo concluído em poucos minutos."
Familiar
Smith disse que teve sorte em testemunhar um evento tão extraordinário e que ficou satisfeito pelo salvamento das baleias.
No passado, ele já teve que sacrificar animais que ficaram encalhados.
O golfinho-nariz-de-garrafa, apelidado Moko por moradores locais, é conhecido por brincar com banhistas na praia Mahia na costa leste da Ilha Norte.
Segundo o conservacionista, depois de orientar as baleias, o animal voltou à sua rotina de brincar com os banhistas na baía.
"Eu não deveria fazer isso, eu sei, nós temos que manter uma postura científica", disse ele. "Mas acabei entrando na água para encontrar o golfinho e dei um tapinha nele" para agradecer.
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Brasileira descobre nova espécie de lobo-marinho no litoral do Peru
Mamífero quase foi extinto por El Niño severo; sua origem ainda é um mistério.
Detalhes na conformação do crânio e no DNA acabam de revelar uma nova espécie de mamífero marinho na América do Sul. Trata-se do lobo-marinho peruano, um bicho cujos primos são velhos conhecidos nas praias do extremo sul do Brasil. O animal andou sendo empurrado para as raias da extinção por causa do fenômeno El Niño, mas a descoberta de que ele é uma espécie distinta pode ajudar a priorizar sua proteção.
Segundo a bióloga Larissa Oliveira, o batismo científico do novo lobo-marinho pode acontecer em meados deste ano. “Ainda precisamos acertar alguns detalhes da publicação”, diz Oliveira, que prefere manter o mistério sobre o nome oficial da espécie. A única certeza é que seu “primeiro nome”, o do gênero, será Arctocephalus, assim como o de seus parentes próximos já descritos pela ciência.

Pesquisadora do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars) e pós-doutoranda da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), Oliveira é a principal “madrinha” desse batismo. Ela visitou a população de lobos-marinhos do Peru em 1996, justamente o ano em que aconteceu um dos piores El Niños já registrados.
Sorte da bióloga, azar dos lobos-marinhos: “Morreram muitos filhotes”, lamenta ela. O que acontece é que o El Niño gera um aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico. Com isso, as águas frias, ricas em peixe, desaparecem da costa peruana, levando os mamíferos à morte por inanição. Os mais vulneráveis são justamente os bebês, que dependem da mãe para alimentá-los. O resultado da bagunça climática foi a queda da população dos bichos de quase 25 mil para pouco mais de 8.000.
No entanto, a mortandade ajudou Oliveira a recolher informações sobre a morfologia e a genética dos animais. Esses dados foram comparados com as demais populações de lobos-marinhos da América do Sul – além do Rio Grande do Sul, onde não costumam se reproduzir, os bichos também aparecem no Uruguai, na Argentina e no sul do Chile. Os principais detalhes analisados, durante o doutorado de Oliveira no Laboratório de Biologia Evolutiva e Conservação de Vertebrados da USP, foram o tamanho e o formato do crânio, bem como regiões do DNA que costumam ser úteis para estudar a divergência (separação) entre dois conjuntos aparentados de animais.
Os resultados não podiam ser mais claros: os bichos do Peru parecem ser primos de segundo ou terceiro grau quando comparados ao parentesco muito mais próximo entre os lobos-marinhos dos demais lugares. Os machos da espécie peruana têm cabeça bem maior, e de formato diferente, e a divergência presente no DNA é maior do que a que existe entre duas espécies já descritas do mesmo gênero, o Arctocephalus.
Além desses detalhes mais palpáveis, há outras razões para distinguir uma espécie da outra. Uma delas é o maior tamanho das fêmeas peruanas, cuja diferença em relação aos machos não é tão gritante quanto a dos bichos do Atlântico. Esses últimos, aliás, acasalam-se num sistema de harém capaz de deixar qualquer príncipe árabe feliz: após lutar ferozmente, o vencedor pode arrebanhar até umas 15 fêmeas. Já os lobos-marinhos do Peru são menos adeptos do combate.
“Eles se comportam mais como pavões”, compara a bióloga. Cada macho se exibe pacificamente, até que as fêmeas façam sua escolha de parceiro. A pesquisadora calcula que as espécies tenham se separado há cerca de 500 mil anos – para se ter uma idéia, calcula-se que a idade da nossa espécie não ultrapasse os 200 mil anos.
Aliás, essa separação ainda tem ares de mistério. Quem olha para o mapa da distribuição geográfica dos bichos enxerga um buraco imenso – cerca de 2.000 km de costa – entre a última presença de lobos-marinhos no sul do Chile e a população do Peru (que também está no extremo norte do Chile). É quase como se os lobos-marinhos tivessem sido carregados até lá de helicóptero e ficado isolados, até se separar geneticamente de seus primos sulinos.
“Ainda não sabemos o porquê disso”, conta Oliveira. “O curioso, porém, é que essa separação das populações do Peru também aparece em outras populações de mamíferos, como leões-marinhos e golfinhos.” Não é impossível que também existam espécies novas desses dois bichos ali. A bióloga pretende investigar esses outros mistérios -- isso, é claro, se conseguir emprego após o fim do pós-doutorado, dificuldade comum entre os jovens cientistas brasileiros.